
Foi simples e complicado assim:
chegamos no Monumental para vermos um filme que só iria passar de meia noite.
Resolvemos tomar um cafezinho ali perto. Só que eu, como sempre, não queria um cafezinho, e sim um capuccino. Mas dessa vez iria querê-lo com chantilly( aqui, eles chamam de natas).
Olho pro menu, o garçom olha pra mim, Emmanuel olha pros dois e pede seu café a ele.
- Gostaria por favor de um capuccino com natas... poderia ser?
Garçom - Mas temos café com natas... é isso?
Eu- Não, não. Gostaria de um capuccino com chantilly, ou seja, natas. Não quero café e sim capuccino, entende?
Garçom - Hum... então você quer as mesmas coisas que tem em um capuccino só que com natas é isso?
Eu (já rindo diante de tamanha complicação com algo que no Brasil já é colocado por escolha)
- Sim, eu quero um capuccino normal, só que com natas encima, entende?
Garçom- Hum... tudo bem, mas não sei se pode... vou lá dentro falar e já volto, tudo bem?
Eu- Tudo.
Emmanuel me olha com cara de ``desiste antes que ele complique mais a situação`` mas eu não me importo. Tudo que eu quero é a droga do capuccino com natas, oras!
Depois de tempos ele chega e me diz que sim, o capuccino terá natas. No fim das contas, este é trazido a minha mesa e o preço continua o mesmo, mas me faz pensar que certas coisas supostamente simples aqui demoram a se processar... e às vezes nestes pequenos momentos realmente parece outro mundo...e pode ser até divertido observar.
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Procuro uma loja para comprar prendas. Entro em diversas , sentindo que minha taxa não está lá muito boa, mas que preciso achar uma loja e fazer um teste logo que possível. Encontro uma perto de uma parada do metro no Restauradores, loja turística onde há vendedores aparentemente indianos a atender. Vejo uma pulseira que me chama a atenção, decido que o valor coincide com o combinado na troca de prendas do jantar desta noite. Pago e pergunto se posso fazer o teste no balcão, mostrando o aparelho que utilizo. Ele olha-me com um sorriso estranho, mas não me intimido e furo meu dedo, pondo o sangue na fita e aguardando o resultado, que dá 42, ou seja, muito baixa. Ele me olha :
- Diabetes, não é?
- Sim...
Olha-me intensamente como se com os olhos quisesse mostrar uma verdade.
- Diabetes é doença de rico, pobre não tem isso.
Paro, sem nem compreender a estupidez do que ele está a dizer, nem acreditar.
Tudo que me sai, diante de minha exaustão física e pensamentos já fracos é:
- Isso é hereditário, não tem nada a ver.
- Mas é doença de rico, pobre não tem...
- Eu nem sou rica.
- Você é.
E aqueles olhos a me olharem como se a praguejar, como se a me culparem por algo que ele nem tem idéia do que é ou de quem sou ou do que essa doença me faz ser. Fiquei a imaginar depois o porquê de ter sido justamente aquela a loja a ter o que eu necessitava, e justamente aquele vendedor estúpido a ter me visto fazer o teste e falar algo tão desnecessário... E a cada dia se entende que em qualquer lugar podem se encontrar pessoas boas, mas da mesma forma encontramos pessoas de cabeça fechada, que não sabem ou pior, sabem o quanto palavras podem magoar.
E tudo de que precisamos, no fim das contas, é de um filtro para bloquear qualquer tipo de energia negativa...mas será que conseguimos?
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