
- Adoro-te.
- Também. Adoro-te muito.
Abraço apertado. Chuva caindo enquanto somos apenas dois corpos juntos no banco de um auto-carro.
- Mas ainda não me peça.
- O quê?
- Para dizer o que eu ainda não estou preparado para dizer.
Sorriso fechado para mim.
- Tá bom, não pedirei.
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- Blá, blá, dia, blá, blá, feliz, blá, coisas,blá...
- Blá, blá, cama, blá, blá, quente, blá, blá, gosto,blá...
- Blá, blá, sinto, blá, blá, quero, blá, blá, paz...
- Amor, me passa aquele telemóvel ali, por favor?
Estaco.
Boca seca. Engulo. Percebo. Ouvidos atentos.
Paraliso.
- Espera. Repete.
Silêncio. Sorriso para ele. Rostos colados.
Ele engole em seco. Respira... e finalmente repete:
- Amor...- e não é suficiente para mim.
- Repete.
-Amo-...
- Repete.
Segundos equivalentes a dois minutos em outra dimensão, nesta nossa dimensão única de pulsação de força descomunal em que vivemos, eu e ele, nós dois. Ele me olha. Aproxima sua boca da minha, eu da dele. Olhos tão próximos que mal se consegue focá-los perfeitamente.
- Amo-te muito, Drica...
Rio de lágrimas que desce, formado por uma sensação maravilhosamente inquietante por sentir esta mesma coisa por este mesmo alguém que me vê, ali, sem máscaras nem medo, lado a lado, e por amá-lo tanto quanto.
- Também, muito mesmo...
E assim a noite fria se cala diante de tão inusitada cena, enquanto que nas ruas pessoas tomam cafés e se divertem ao assistir um jogo qualquer.
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