quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O depois do Adoro-te



- Adoro-te.

- Também. Adoro-te muito.

Abraço apertado. Chuva caindo enquanto somos apenas dois corpos juntos no banco de um auto-carro.

- Mas ainda não me peça.

- O quê?

- Para dizer o que eu ainda não estou preparado para dizer.

Sorriso fechado para mim.

- Tá bom, não pedirei.

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- Blá, blá, dia, blá, blá, feliz, blá, coisas,blá...

- Blá, blá, cama, blá, blá, quente, blá, blá, gosto,blá...

- Blá, blá, sinto, blá, blá, quero, blá, blá, paz...

- Amor, me passa aquele telemóvel ali, por favor?


Estaco.

Boca seca. Engulo. Percebo. Ouvidos atentos.

Paraliso.


- Espera. Repete.


Silêncio. Sorriso para ele. Rostos colados.

Ele engole em seco. Respira... e finalmente repete:


- Amor...- e não é suficiente para mim.

- Repete.

-Amo-...

- Repete.


Segundos equivalentes a dois minutos em outra dimensão, nesta nossa dimensão única de pulsação de força descomunal em que vivemos, eu e ele, nós dois. Ele me olha. Aproxima sua boca da minha, eu da dele. Olhos tão próximos que mal se consegue focá-los perfeitamente.


- Amo-te muito, Drica...


Rio de lágrimas que desce, formado por uma sensação maravilhosamente inquietante por sentir esta mesma coisa por este mesmo alguém que me vê, ali, sem máscaras nem medo, lado a lado, e por amá-lo tanto quanto.


- Também, muito mesmo...


E assim a noite fria se cala diante de tão inusitada cena, enquanto que nas ruas pessoas tomam cafés e se divertem ao assistir um jogo qualquer.

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