
- Se eu pudesse te tirava esse cigarro da boca.
- É?Mas eu te odiaria, te chamaria de controladora.
- A merda é justamente essa. Então eu sigo, respeitando teu cigarro, tua fumaça, que seca teus pulmões e começa a mexer nos meus. Mas simplesmente não me importo... é quase como se o cigarro fosse parte de tu. Como se fosses parte de algum filme noir, com um charme terrível nesses olhos que não me canso de olhar e que me causam arrepios. Droga de cigarro!
- Sim, droga de cigarro. Eu sou uma droga?
- Pior que não.
- Te quero.
- Também te quero.
- Então fim de papo.
Beijos quentes. Calor. Ânimo que parece renascer das cinzas de uma crise que mais parece um barco pedindo para afundar. Mas há sempre pessoas a querer crescer, a querer viver bem, a querer serem felizes.
Pois há sim, há o ``continue`` e o ``não continue``. E temos sempre de escolher o ``continue``, como um botão sempre a ser apertado, apertado, mas afinal não somos todos máquinas, somos pensamentos, emoções, caras cansadas no metro, no comboio, olhando a vista bela e melancólica agora borrada pela chuva, em meio a um imenso mar que parece querer engolir uma pequena ilha, ali, aonde parece haver um farol.
- Às vezes, meu caro, é tão simples como escolher ou não uma taça de vinho.
- Sim, e é por isso que sempre te escolho... mas até quando beberemos vinho?
- Não sei, deixa o tempo decidir. Com você não consigo ser pragmático.
- Igualmente.
E todos os dias há vinho em Lisboa, chovendo, chovendo e formando rios de lágrimas, mas também de sorrisos fraternais que inundam nossos mais íntimos sentimentos.
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