segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Duas cabeças que parecem olhar pela janela.

E havia então um garoto, andando à beira do metro.

E havia então outro garoto, andando à beira de algum precipício psicológico.

E havia então uma alegria no olhar azul e angelical.

E havia então uma melancolica indescritível que me sugava aos poucos...será?


- Nem te conheço, mas pareço saber quem és, apenas por que se assemelhas a alguém que conhecia há muito, muito tempo atrás...

- Não gosto disso... isso é bom? O que essa pessoa te fez?

- Nada!



E tudo se cala.

Duas intensidades deveriam se encontrar?

Mas por quanto tempo mais?


Tick-tack-tick-tack...


- E se um dia eu for realmente embora?

- Mas eu já vou, independente de você ir ou não...

- Sim, sim...

- ... eu também sentirei falta.



E assim se fecham os olhos, corpos, livres pelo mundo afora.

Somos afinal jovens e podemos sonhar o que quisermos, e lembrarmos como quisermos.

Podemos ver a chuva caindo pela janela e ouvir um avião passar tão rápido quantos nossos pensamentos e reflexões...




...sei lá. Só é simplesmente bom e saudosista de um jeito triste, e de certa maneira.

E assim tudo se passa... enquanto que a fumaça do cigarro é devorada pela chuva...

e nossos medos e agonias são levemente esquecidos diante da intensidade do agora.




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