domingo, 30 de outubro de 2011

Mão na mão



E havia então um som que emanava e permeava todo um caminho de segredos e mistério.
E quase se fazia música, de tão intenso. E os olhos, que se fechavam e abriam...mais fechavam do que abriam, como janelas à espreita do sabor do desejo.
E como se antes não soubessem exatamente que caminho seguir, mas sempre indo em frente,
sempre, sempre... com palavras que flutuam pelo imenso espaço que podem ser pequenos grandes momentos. Em horas. Em segundos. E é sempre assim, um atrás do outro, seguidamente.
Mas aqueles olhos...não eram comuns, eram?
Poderiam pois parecer com milhares já existentes, mas dentro deles gritavam nada. Dentro deles uma paz habita, uma suavidade inexplicável... e nem precisa ser verdade. Só pensamento... e antes que novamente as palavras escapem me fecho em devaneios.
Como se o conhecesse, realmente.
Como se fosse tão simples uma vaga idéia do que alguém pode ser se tornar real.

E dançam as palavras
E dançam os sons
E dançam histórias do que foram então...
tristezas, alegrias, pesar, solidão
,
com sorrisos de bom dia,
lado a lado, mão na mão.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Duas cabeças que parecem olhar pela janela.

E havia então um garoto, andando à beira do metro.

E havia então outro garoto, andando à beira de algum precipício psicológico.

E havia então uma alegria no olhar azul e angelical.

E havia então uma melancolica indescritível que me sugava aos poucos...será?


- Nem te conheço, mas pareço saber quem és, apenas por que se assemelhas a alguém que conhecia há muito, muito tempo atrás...

- Não gosto disso... isso é bom? O que essa pessoa te fez?

- Nada!



E tudo se cala.

Duas intensidades deveriam se encontrar?

Mas por quanto tempo mais?


Tick-tack-tick-tack...


- E se um dia eu for realmente embora?

- Mas eu já vou, independente de você ir ou não...

- Sim, sim...

- ... eu também sentirei falta.



E assim se fecham os olhos, corpos, livres pelo mundo afora.

Somos afinal jovens e podemos sonhar o que quisermos, e lembrarmos como quisermos.

Podemos ver a chuva caindo pela janela e ouvir um avião passar tão rápido quantos nossos pensamentos e reflexões...




...sei lá. Só é simplesmente bom e saudosista de um jeito triste, e de certa maneira.

E assim tudo se passa... enquanto que a fumaça do cigarro é devorada pela chuva...

e nossos medos e agonias são levemente esquecidos diante da intensidade do agora.




quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Reconstrução interior




Foi aí que vim entender. E é verdade.




Em um intercâmbio você entra em choque com outras culturas e identidades, independente da língua ser a mesma ou não. Nossa! E como isso pode ser assustador... Você começa e se perguntar se você é suficiente... suficiente para amigos, colegas, novas pessoas, família e até para você mesmo. E como isso pode ser assustador. Assustador porque por mais que você não queira criar algo ou alguém de quem depender se criam laços sim, e se tornam nova família. Assustador é admitir quando se está errado, e assustador é se perceber o quanto o próprio mundo pode estar errado...


Mas você sempre pode ter a chance de tentar ser alguém melhor, não é verdade?


Bem... talvez não sempre, mas não se pode desistir... e é isso aí, estou nesse caminho e nele continuarei até onde puder ser melhor.



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

UM RESUMO RÁPIDO E MINIMAMENTE DESCRITIVO DAS COISAS E...ALGO MAIS.




E chegamos. Apartamento não tão em boas condições, suposta ``senhoria`` dizendo que precisaria logo do dinheiro, visto que havia sido assaltada. Problema: apartamento conjugado, tínhamos de passar uma pelo quarto da outra e até do da dona para chegar no nosso. Outro problema pior: fui recebida por Bartush, um polaco que estava a morar no apê de baixo( da mesma dona) e que estava assustado pois seu quarto acabara de ser arrombado.


Resumo: Entre idas e vindas e estresse de familiares e nosso à procura de um apartamento, conhecemos Daniel e Ana Karol, um casal maravilhoso de quem ficamos muito amigas. Ana K. é irmã da chefe de minha amiga Lua. Eles insistiram para que mudássemos para ser apartamento, onde dividiríamos as despesas. Depois de duas semanas aqui em Lisboa quase três decidimos nos mudar para lá, mesmo sendo em Carcavelos e portanto, mais longe da faculdade.



------------------------------------------------------------------------------------------------- Reunião primeira de todas do Erasmus.


Reitor fala belas palavras sobre mudarmos primeiro a nós mesmos para depois irmos mudando o próximo e assim por diante. Inúmeros países misturados. Tereza A., coordenadora de estágio que todos conhecíamos apenas por email, marca uma reunião para o outro dia de manhã cedo. Neste dia conhecemos Christian, um italiano que só sabia falar inglês e Evelina, uma polaca que havia feito seis meses de português e portanto fala bem( fiquei orgulhosa de saber que pessoas fazem cursos para aprender nossa língua, bateu um orgulho nacional...). Conversamos todos, misturando inglês e português. Divertido.


Outro dia de manhã. Reunião.

Eu e Luana chegamos. Christian nos vê e vem sentar perto de nós.

Nos diz que para recebermos a pasta que ele recebeu temos de assinar no nosso nome na lista que está na mesa central do auditório. Vamos lá, procuramos nosso nome. Tereza A. nos olha com indisfarçada indiferença quando chegamos para lhe falar:

- Você sabe porque nossos nomes não estão na lista?

Ela sorri e diz:

- Porque o nome de vocês não estão na lista?

Nós, ingenuamenete rimos e novamente explicamos que não sabemos.

Ela, em seu triunfo final de ar superior e sorriso irônico nos revela:


- Vocês são brasileiras, queridas. Esta reunião é apenas para quem é da Europa, apenas Erasmus.

``Toma essas, garotas!``

- Então o que fazemos?

Ela - Vocês podem ir se inscrever normalmente na secretaria que é lá embaixo.


E é isso aí, quem é do Brasil se vira só no final das contas...

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Ontem fui com Evelina para uma festa do Erasmus, entrada Free e duas sangrias Free para mulheres. Parecia uma discoteca como havia para mim quando era mais nova, no Brasil. Um lugar escuro com música meio alta e onde para se dançar todos acabavam se vendo, não deixando ninguém muito a vontade. Meninos que só queriam saber de pegar alguma menina, seja ela qual fosse e qual parecesse talvez mais fácil. Saímos dali e vamos encontrar um amigo dela, que acabo conhecendo, de Madrid( que é para onde eu e Lua vamos próxima semana yeah!).


Começa a estar realmente frio lá fora. Me sinto um pouco outsider nesse mundo. Às vezes, por mais divertido que seja conhecer novas pessoas e novas culturas e mundos, você parece ser apenas mais um naquele mundo inteiro de cores não tão fortes. Fiquei pensativa. Me diverti mas fiquei pensativa. E não sei se foi verdadeiro tudo.


Como se eu sentisse falta de uma rotina, de repente. Como se só a arte pudesse realmente me sentir útil nesse mundo... como se só através dela eu fosse alguém. Viva.

Mas tudo é aprendizado, repito a mim mesma. E durmo, durmo, um sono pesado de vinho e sangrias...