Emmanuel me leva para conhecer lugares em Ovar e perto de Pardilhó: vamos a um café que se chama Vela Areinho, e a maré está seca, seca, com pequenos pássaros rondando e uma serenidade bucólica. Tomo um capuccino que já vem deliciosamente com natas e ele um café. Observamos as cores do céu e suas nuances a se refletirem na água que mais parece um espelho. Mesmo a lama consegue ser bonita.
- Ah,mas quero te trazer aqui com a maré cheia...aí sim, aí sim...
Não me importo tanto. Brincamos de tirar fotos. Brincamos de imaginar como será nossa vida em Londres, mas de mãos dadas. Sempre de mãos dadas...
E o nosso resto da vida, será igual ao dos outros? E nossos sonhos? Minguarão junto a maré cheia ou permanecerão, mesmo aos trancos e barrancos, como os montes de terra que afundam mas dali não saem? Não saem nunca daquele espelho, onde se escondem as mais profundas fantasias e divagações...
Eu não sou espelho de ninguém, sou? Ou seremos, Emmanuel?
E a maré que aos poucos enche é que nos vem perguntar...
"São vocês o espelho do fracasso das outras pessoas
ou são vocês espelho da vitória das outras pessoas?"
Porém as gaivotas não ligam e pisam encima da água que cresce, desfacelando as perguntas. Só que, em nossas mentes, todas elas ficam bem juntinhas, à espera do pôr de Sol esclarecedor que será nosso futuro e, onde, dentro dele, reinarão sempre nossos atos e tomadas de decisões...
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