Eu só sei que não deveria ter te conhecido. Nunca. Nunca mesmo. É só o que sei. É que nunca deveria ter te conhecido...e é apenas isto.
Ainda anteontem eu e minha amiga Luana, minha companheira na faculdade e agora de apartamento, vimos uma velhinha que estava a falar sozinha consigo mesma no restaurante em que estávamos a comer. Me perguntei se estava realmente com problemas ou se ela via espíritos que nós não conseguíamos ver. Lua disse que deveria ser um amigo imaginário dela.
Comentei disso com Ana Carol, irmã da chefe de Lua que mora em Portugal e de quem estamos muito amigas. Ela me disse que aqui em Portugal pessoas de terceira idade costumam mesmo ser muito sozinhas, muitas abandonadas ao relento, colocadas em asilos...corpos descobertos ao acaso sem vida. Fiquei triste com isso. Estava até animada pelo fato de aqui os idosos não fazerem questão de serem atendidos prioritariamente, de até sentirem-se ofendidos com isso. E mais do que nunca achei que sim, aqui as pessoas pareciam viver mais tempo. Mas será que adianta viver mais tempo assim e acabar só?
Ao final de tudo somos jovens e tudo é desculpa para sorrir, se divertir, prazer da carne. E nem me importo. Decidida a quebrar barreiras. É tudo demais, demais da conta para quem aprende aos montes.
Fomos para um bar onde se toca karaokê. Parei e decidi que iria cantar lá. E cantei. Primeira barreira quebrada em parte. Público não tão receptivo como o Brasil. Voz não tão bem aquecida devido a falta de tempo e cansaço para aquecê-la. Mas me diverti, e é isso que importa. Docas, dança, olhares, cheesebúrger de rua. Quase me pego a pensar que em parte me volto ao Brasil. Mas não é, mesmo com tanta música brasileira a tocar aqui. Mesmo com tantas ladeiras que lembram Olinda e casas caiadas como as do Recife Antigo, com a diferença de não estarem lascadas de tempo ou corrupção de faltas de cuidado. Vai ver Lisboa estou começando a te entender mais... vai ver Lisboa estais me conquistando... e quem sabe? Quem sabe? Talvez só a rosa sabe...
Sim, a rosa. Aquela... adormecida no chão. Esperando para ser apanhada por uma mão que a valha. Esperando para não congelar naquela rua molhada de beijos...
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