quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pré- Viagem Parte(2)

E foi tudo assim. As malas se fizeram nos últimos momentos, criou-se a festa de despedida na quase já última semana. Houveram duas. Uma mais para amigos, outra mais para família. Depois foi se despedir da psicóloga, da fonodióloga, de professores. Lembro de um em particular, alguém a quem admiro muito e ao mesmo tempo tempo, tenho respeito mas também certa indisposição que dura alguns instantes apenas. Estava eu a fazer a prova final da cadeira de Iluminação. Tudo certo, tudo escrito. Olho para ele. Mestre. E como dizer adeus?

Levantei. Entreguei a prova.

- Até...( poderia dizer ``mais``,mas escolhi especificar...) daqui a um ano, sim?

Ele nem fala nada. Levanta e vem me abraçar, sério, e me deseja sucesso nessa nova empreitada. Abraço de pai-educador-aperreador que amo.

- Brigada, professor... pro senhor também, tudo de bom...

e saio. Nem o Cac conseguiria deixar de ouvir meu suspiro de alívio por ter conseguido dar um último pré-intercâmbio abraço no meu professor preferido ...


Heli, adorei ver minha falta sentida em seus olhos. Grande amiga. De resto foram abraços apertados. Família rindo. Comida aos montes. Foi tudo num bolo só. Acabou que nem pensei mais se iria sentir saudade. Acabou que o dia chegou, e no aeroporto o adeus veio recheado de cuidados e precauções(pais, vovós...) a serem tomadas. Já estava a ficar louca!

Também amo vocês, amigos e família... e até daqui a um ano, ou quem sabe mais, dependendo do acontecimento das coisas...


domingo, 18 de setembro de 2011

A rosa no chão( Parêntesis entre Pré-Viagem parte 1 e Pré-Viagem parte 2)


Eu só sei que não deveria ter te conhecido. Nunca. Nunca mesmo. É só o que sei. É que nunca deveria ter te conhecido...e é apenas isto.


Ainda anteontem eu e minha amiga Luana, minha companheira na faculdade e agora de apartamento, vimos uma velhinha que estava a falar sozinha consigo mesma no restaurante em que estávamos a comer. Me perguntei se estava realmente com problemas ou se ela via espíritos que nós não conseguíamos ver. Lua disse que deveria ser um amigo imaginário dela.



Comentei disso com Ana Carol, irmã da chefe de Lua que mora em Portugal e de quem estamos muito amigas. Ela me disse que aqui em Portugal pessoas de terceira idade costumam mesmo ser muito sozinhas, muitas abandonadas ao relento, colocadas em asilos...corpos descobertos ao acaso sem vida. Fiquei triste com isso. Estava até animada pelo fato de aqui os idosos não fazerem questão de serem atendidos prioritariamente, de até sentirem-se ofendidos com isso. E mais do que nunca achei que sim, aqui as pessoas pareciam viver mais tempo. Mas será que adianta viver mais tempo assim e acabar só?


Ao final de tudo somos jovens e tudo é desculpa para sorrir, se divertir, prazer da carne. E nem me importo. Decidida a quebrar barreiras. É tudo demais, demais da conta para quem aprende aos montes.



Fomos para um bar onde se toca karaokê. Parei e decidi que iria cantar lá. E cantei. Primeira barreira quebrada em parte. Público não tão receptivo como o Brasil. Voz não tão bem aquecida devido a falta de tempo e cansaço para aquecê-la. Mas me diverti, e é isso que importa. Docas, dança, olhares, cheesebúrger de rua. Quase me pego a pensar que em parte me volto ao Brasil. Mas não é, mesmo com tanta música brasileira a tocar aqui. Mesmo com tantas ladeiras que lembram Olinda e casas caiadas como as do Recife Antigo, com a diferença de não estarem lascadas de tempo ou corrupção de faltas de cuidado. Vai ver Lisboa estou começando a te entender mais... vai ver Lisboa estais me conquistando... e quem sabe? Quem sabe? Talvez só a rosa sabe...


Sim, a rosa. Aquela... adormecida no chão. Esperando para ser apanhada por uma mão que a valha. Esperando para não congelar naquela rua molhada de beijos...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A PRÉ- VIAGEM PARTE (1)





Não houveram lágrimas em minha despedida. Foram apenas engolindo adeus, todos. Minha vida estagnada, me pedindo para ir embora. E eu a pensar que em algum lugar de Lisboa, a arte a me esperar, ainda dormindo, mas viva, secretamente, a nortear pensamentos, a sacudir melancolia... a sorrir. Meus sonhos me sorriram, apesar de uma certa decepção por saber que lá a língua seria a mesma que a minha... me senti irresponsável, de certa forma. Seria mesmo um intercâmbio? Sim,sim. Mas às vezes ainda me pego a pensar que não?


Foi de um arroubo assombroso que adentrei a sala, sedenta de viajar, fazer intercâmbio. Lá, na Coordenação da Cooperação Internacional da Ufpe. Não me sorriram nem aliviaram, quando perguntei:

- Para que países posso fazer intercâmbio pelo meu curso de Artes Cênicas?

- Portugal ou França.

- E o que precisa?

- Para França certificado, para Portugal apenas os documentos de praxe, que incluem uma declaração que podemos lhe mandar por e-mail.


Quase choro. Queria tanto ir para um lugar em que falassem inglês! Ou pelo menos tentar falar francês, mas sem certificado não conseguiria jamais.


- Tudo bem, então.- aceitei sem aceitar. Saí escolhendo Portugal à força...